Hoje de manhã me deparei com um excelente artigo do Todd Dominey, do blog “What Do I Know?“.

Ele levanta uma questão muito importante: o bom design é o que agrada aos olhos? Ou é o que funciona bem de acordo com seus objetivos?

Já falei sobre isso no artigo “Design Funcional” lá na MSI, mas este último me fez pensar ainda mais sobre o assunto. O Rochester também toca no assunto de leve em seu artigo “Não me faça pensar” o que, por ironia me fez pensar mais um pouco ainda sobre tudo isso.

Quais são os atuais problemas dos web designers? Aparentemente, é convencer seus clientes de que as escolhas deles são as escolhas certas e que será o melhor para sua marca e sua empresa. Mas por que é difícil convencê-los disso?

Generalizando: Os clientes e os designers vivem em dois mundos separados. Simples assim. No mundo dos clientes, a coisa é bem direta: “eu quero assim e você vai fazer assim”, enquanto no mundo dos designers a coisa complica…. “sabemos que você quer assim e eu posso fazer assim, mas é melhor de outro jeito…”

Mas para tornar tudo mais claro, vamos nos colocar no papel de ambos… você que é cliente, tente ver o mundo por nossos olhos uma vez e talvez entenda um pouco melhor. Você designer, veja o mundo pelos olhos do cliente e entenderá que o lado dele não é errado também.

Mundo do Cliente

Você entra em uma loja de calçados. Um tênis colorido e bonito lhe chama a atenção. Você pensa consigo mesmo “agora sim, vou impressionar as meninas e ainda fazer uma moral com meus amigos”. O vendedor da loja, logicamente, lhe venderá o tênis, mas não sem antes lhe dar a dica de comprar um outro tênis que talvez seja melhor para correr, saltar, etc etc etc

Mas você quer aquele, porque gostou, simples assim. Não importa se outro lhe dará maior desempenho nas pistas, já que você gostou daquele e quer mostrar aquele para seus amigos e para as meninas do escritório.

Mundo do Web Designer (caso ele fosse vendedor de tênis)

Um cara entra numa loja e pede um modelo de tênis. Ele até é um tênis bonito, mas você é especializado em calçados… estudou anos a fio, fazendo experiências e até fez faculdade de fisioterapia. Você sabe que aquele tênis não será bom para ele. Você sabe que com a forma do pé dele, o tênis logo vai estragar.. você sabe que pela cor do tênis, ele vai sujar mais rápido… você sabe que ele terá problemas de coluna a longo prazo com aquele tênis… mas ele o quer muito….

E agora? O vendedor desonesto, venderia o tênis e sairia feliz com sua comissão. Mas como você é honesto, vai falar para o cliente das vantagens dos outros tênis, vai mostrar pra ele porque aquele tênis fará mal e vai tentar convencê-lo a levar outro, porque quer o melhor para seu cliente.

Se depois de tudo isso, ele ainda quiser comprar o tênis, mande-o embora. Porque você não quer ser referenciado ou culpado por ter sido “o cara que vendeu o tênis que estragou a coluna de fulano”, não é?

Existem dois tipos de cliente… um que entende o que você está falando e outro que não quer entender, que quer do jeito dele e pronto. Como profissional você tem que ter a cara e a coragem de dizer “não quero o trabalho” nesse tipo de caso… se você aceitar, vai ganhar algum dinheiro mas e aí, você será um profissional honesto? No seu portifólio vai ter o site desse cara? E se aparecer outro desse? Pensem nisso….

Se o cliente não entende porque o site deve ser mais simples, ou porque você usa webstandards, ou porque você não quer fazê-lo em ASP…. então realmente não vale a pena tê-lo como cliente.

As pessoas ainda possuem um bloqueio com o fato de negar trabalho. Mas o maior passo de um profissional é poder dizer para o cliente “não vou fazer”. Se você fizer isso, estará num patamar muito maior de qualidade profissional, pois só fará trabalhos do seu jeito, que serão realmente bons.

Toda essa dificuldade de o cliente absorver as decisões de design não é de hoje. Se ela existe, é culpa dos nossos antecessores, que em suas carreiras promoveram verdadeiros absurdos que hoje em dia são simplesmente obsoletas. Mas na época o cara usou o mesmo discurso que o nosso. O que passa na cabeça do cliente é: “Tá bom, eu sei que é a tecnologia de ponta, mas esse que você tá xingando também já foi tecnologia de ponta”.

Para Designers:

Então como convencê-lo de que o melhor nem sempre é o impacto visual maior?

Faça perguntas… pergunte sobre os objetivos do site, pergunte sobre os objetivos da empresa, sobre os objetivos pessoais, sobre os objetivos dos clientes dele.
Isso vai pelo menos ressaltar na memória de curto-prazo, o que o site realmente deve fazer. Depois basta falar como cada uma de suas ações vai fazer com que ele alcance todos esses objetivos (claro que não basta falar, tem que fazer também).
Conquiste a confiança dele. Mostre para ele que você entende o que faz e que pode ajudá-lo. Um engenheiro aceita opiniões de seus clientes… mas ele que vai saber dizer onde são os melhores lugares para colunas, tomadas e etc. Ele vai saber que botar uma cachoeira na sala-de-estar não é viável e pode afetar a casa de diversas maneiras. Faça com que ele tenha essa visão de você.

Para Clientes

Confie em seu designer. Se você não confia nele para tomar as decisões por você, procure outro.
Ele tem que saber tomar essas decisões, tem que ser sempre honesto com você, tem que sempre ter uma alternativa na manga para uma sugestão sua que seja inviável.
Normalmente um webdesigner sabe o que fazer, mas exija resultados. Se ele tirou o flash de seu site porque ajudaria o site a subir no ranking do google, exija dele esse resultado. Assim você terá certeza de que ele sabe o que está fazendo e que realmente há resultado em suas ações.

É simples, a gente que complica.

Anúncios