Nenhum especialista parou pra pensar nisso. Nenhum estudioso dirigiu essa pesquisa. Talvez ninguém nunca tenha realmente pensado sobre isso (estou chutando essa), mas ainda é muito cedo para ligarmos certas tecnologias à comportamentos.

Nas semanas passadas muita gente ficou chocada com a notícia do massacre na Virginia Tech. Logo começaram os burburinhos. Foram tantas hipóteses, tantas teorias que um site chegou a listar todas as suposições sobre os motivos do garoto coreano ter feito aquilo.

Nesses casos, a minha favorita sempre é “foi culpa dos video-games violentos”. Por que as pessoas insistem em culpar os jogos, cada vez mais realistas, pelas nossas ações? Talvez porque ainda não estejam acostumadas. O video-game é simplesmente algo novo. Não acha? Talvez como eu você tenha nascido nos anos 80 e a tecnologia já estava ao redor.

Mas pense na sociedade como um todo. Para simplificar, vamos pelo calendário cristão e contar apenas os últimos 2000 anos. De todo esse tempo de história, os video-games são socialmente ativos por apenas 20. É 1% de tudo isso. Como é  possível entender a real relevância de uma tecnologia interativa que é tão nova para nós?

E as mais recentes ainda? Celulares são muito mais influentes na sociedade do que um video-game (até quando eu não sei) e não sabemos se as nuances da facilidade de comunicação não afetam a nossa forma de enxergar o mundo.

Fato é que, cada vez mais fugimos da realidade como ela é. Os contatos são feitos por aparelhos e, desde crianças, acompanhamos esse comportamento. Nos tornamos menos humanos à medida que interagimos através de máquinas.

Eu não tenho um celular faz alguns meses e, sinceramente, ele faz alguma falta mas não considero mais um acessório essencial como antes. Também me desfiz de meu video-game, mas não porque ele incentivava a violência em mim… acredite, posso matar 900 soldados em uma guerra chinesa medieval, mas não sacaria uma arma para uma pessoa.

As pessoas usam a tecnologia de bode expiatório para seus próprios distúrbios e isto está errado. Temos que lembrar da célebre frase: “Armas não matam pessoas, pessoas matam pessoas”. Só temos que adaptá-la um pouco, para: “Tecnologia não isola as pessoas, pessoas isolam pessoas”.

A tecnologia é essencial para nosso dia-a-dia ser facilitado, mas muitas pessoas transformam o que era pra ser apenas um meio em uma essência e, no fim das contas, acaba se isolando. A culpa, é do computador ou da pessoa?

Por isso temos sempre que lembrar: você não vai morrer se ficar um fim de semana sem ler seu e-mail ou falar no seu MSN. Mas quando você continua dependendo diretamente das “pequenas nuances da facilidade de comunicação”, você acaba trocando a sua persona real pela persona virtual.

Não deixe isso acontecer, pois não sabemos o dia de amanhã. A tecnologia que temos hoje ainda é muito recente na sociedade para que possamos dizer que é definitiva e pode ser que as próximas gerações sejam muito mais afetadas por ela  do que nós mesmos (vide revolução industrial e o capitalismo).

Vivemos um momento novo e assustador… quando na história da humanidade um psicopata ou criminoso tinha espaço aberto na mídia mais acessada do mundo para colocar vídeos, fotos e outras formas de expressão, de graça, sendo acessado por milhões.

Imagine o mundo de antigamente com a tecnologia de hoje… Será que teríamos as mesmas visões que temos hoje? Imagine se Napoleão Bonaparte tivesse um blog. Entenderíamos melhor os seus motivos e suas razões, ao invés de ter de confiar em registros históricos que são não apenas duvidosos como controversos.

Se tivesse YouTube na segunda guerra mundial, a sociedade não estaria comprometida por uma descarada propaganda dos bonzinhos a seu favor… teríamos fatos. Por isso a opinião formada ao redor da guerra do iraque é muito mais forte, contrária e expressiva do que a da época… as pessoas vêem o que acontece.

O problema todo é que a internet deveria realmente ser um espaço democrático para troca de informações e idéias. A internet é utópica por padrão, mas o mercado capitalista soube tirar seu proveito dela e hoje temos um espaço invadido por empresas que repetem o erro da televisão transformando um meio de comunicação em um modelo de negócios. A mídia tradicional (jornais, revistas e televisão) invade a internet fazendo nela o mesmo que fazem em seus espaços:  informando o que querem e como querem, manipulando a informação.

Mas por que então as pessoas dão mais credibilidade aos meios tradicionais? Preguiça. Falta de vontade de procurar os fatos, de assistir aos vídeos do coreano antes que ele atirasse em seus colegas e pensar sobre o que ele falou.

A sociedade toda está errada e esses são alguns dos sinais. Um dia pereceremos e não será nem por um meteoro, nem por um alienígena e nem por um desastre natural, será pelas nossas próprias mãos.

Anúncios