Cyber-Cultura e Etc.

Aventuras e desventuras de um web designer

Primeiras impressões sobre o Google+ — 07 / julho / 2011

Primeiras impressões sobre o Google+

Screenshot do Google+
Minha página inicial no Google+ ... bem mais limpa do que a maioria das redes sociais

Já faz um mês que os convites do Google+ começaram a circular por aí. Até então bastante limitados, os convites chegaram a ser até bloqueados por uma semana, já que o site ainda está em fase de testes e a procura foi muito grande para tão pouco tempo.

Agora, graças ao meu amigo Carlos Eduardo, pude receber um convite e verificar a mais nova criação da Google. Portanto, trago para vocês uma análise preliminar do que vi até agora. Vou atualizar este post a medida em que testar/encontrar novos recursos e possibilidades, para que meus leitores possam decidir se querem ou não fazer parte de mais uma rede social.

Não é para todos, pelo menos ainda.

O Google+ foi feito a partir dos conceitos mais difundidos das redes sociais atuais, como a atualização simples de status, comunicação rápida com os amigos através de textos curtos, exibição de fotos e marcação de rostos, enfim, o básico de uma rede social nos dias de hoje. Então qual a grande diferença entre usar o Orkut, o Facebook e o Google+ ? Por que deveríamos trocar, ou até mesmo adicionar, uma rede social?

A diferença começa no cadastro, já integrado com a Google Accounts, para quem tem conta no Gmail, YouTube e outros serviços da Google, facilita bastante na hora de dar o primeiro passo. Assim que entrei no site, a primeira tela mostrava alguns dos recursos mais relevantes e como utilizá-los, com bastante simplicidade. Dois deles seriam os responsáveis principais pelo que eu acredito ser o sucesso futuro dessa aplicação: o “Circles”, “Sparks” e o “Hangouts”, que explicarei mais adiante.

Mas por que o Google+ não é para todos? Simples, primeiro porque não há tantas pessoas por lá, a grande maioria são early adopters, pessoal que trabalha com tecnologia ou nerds curiosos. Em segundo lugar, ainda é um aplicativo em fase de testes, sem tantos recursos quanto a maioria das redes sociais. A verdade é que para a grande maioria do público atual do Facebook, seria uma perda de tempo usar o Google+, pelo menos até ele ficar mais amadurecido.

A Google conta com a participação desses usuários iniciais em avaliar e testar esses recursos, dando feedback para os desenvolvedores poderem melhorá-lo antes de colocá-lo a disposição para o público geral.

Circles

Não há nada de muito novo no conceito dos círculos do Google+. No caso, é um recurso para você separar os seus amigos por categorias, assim seus dados e atualizações são segmentados. Isso já existe no Orkut e no Facebook, entre várias outras redes sociais menos conhecidas, mas não são tão utilizados pela maioria dos usuários. No Google+ essa opção é praticamente obrigatória, já que quando você adiciona um novo amigo, a primeira coisa que ele faz é perguntar a qual círculo ele pertence. Portanto a diferença não é tanto na funcionalidade, mas na abordagem do sistema em relação ao usuário, achei isso muito bom. Saiba mais sobre o Circles, aqui.

Hangouts

De longe o recurso mais interessante até agora, o Hangouts consiste em um aplicativo de vídeo conferência, onde você conversa com diversas pessoas ao mesmo tempo com sua webcam e um microfone. A qualidade dos vídeos e a velocidade com que funciona surpreendem, comparando com outros serviços semelhantes na internet. O mais próximo disso que existe só pode ser encontrado no Skype (pagando) ou em outros softwares específicos de vídeo conferência (também pagando). Acredito que não vá demorar para o Facebook integrar um serviço semelhante, mas tenho dúvidas quanto a qualidade com que isso será feito. O fato de a Google ter feito um bom trabalho nesse recurso não é nenhuma surpresa, sendo que eles são proprietários do YouTube há alguns anos e fizeram grandes melhorias no serviço de vídeo, sem contar o abandonado Google Videos (que ainda existe, apesar de praticamente substituído pelo YouTube que é mais popular). Saiba mais sobre o Hangouts aqui.

Sparks

Screenshot do Sparks no Google+
Sparks no Google+, uma maneira fácil de encontrar e compartilhar conteúdo

Uma forma interessante de exibir notícias e informações de outras fontes que não os seus amigos e conhecidos, o recursos Sparks mostra diversos conteúdos de diferentes categorias, assim você pode encontrar novidades para compartilhar com seus amigos sem nem mesmo ter que sair do site. Gostei muito desse recurso, que além de servir como as “preferências” do Facebook, não é tão dependente do que você define no seu perfil, mas sim um arquivo navegável de atualizações. Saiba mais sobre o Sparks aqui.

Recursos Visuais e Práticos

Algo que me chamou bastante atenção no Google+ foi seu visual limpo, agradável aos olhos e focado na funcionalidade mais do que em detalhes que, acumulados, causam uma grande poluição visual (como no Orkut e até no Facebook). Além disso, a equipe da Google caprichou no modo como é feita a interação com o site, na hora de editar o perfil, atualizar o status, fazer upload de fotos e vídeos. Você não precisa ficar transitando entre páginas para editar seu perfil, pode editá-lo na mesma página em que ele é exibido, com bastante rapidez. Alguns pequenos detalhes fazem a diferença. Por exemplo, quando trocamos a foto de perfil, há uma animação simples trocando a imagem antiga pela nova. Esse tipo de detalhe é que realmente faz diferença, quando o site todo é focado na limpeza visual, esse tipo de transição causa um efeito maior na percepção do usuário.

screenshot do meu perfil no Google+
Meu perfil (ou parte dele) no Google+

Google+ Para Empresas

Recentemente, escrevi um artigo no blog da empresa onde trabalho, a Tecnolicious, falando mais sobre a abordagem do Google+ para as empresas, um recurso que ainda está para chegar. É muito importante ler se você pretende divulgar sua marca nessa rede social, seja um blog, uma empresa, uma banda musical ou um grupo/associação, já que as regras para isso são bem específicas e podem resultar em bloqueio ou exclusão do seu perfil.

Resumindo

Certamente o Google+ é um serviço de rede social no qual devemos ficar de olho. Agora, pode não ser tão inovador, com excessão desses recursos citados, mas futuramente tenho certeza que serão dezenas de inovações sociais para desfrutarmos. Se você é um usuário esporádico de redes sociais e só quer ficar em contato com sua família e amigos, recomendo que continue no Orkut e Facebook até que o Google+ amadureça um pouco. Se você é um aficcionado por novidades e está louco de curiosidade para testar esses novos recursos (e ainda poder dizer, daqui há uns anos, que foi um dos primeiros – como  muitos gostam de falar quanto ao Orkut e Facebook), então não perca tempo, corra atrás de seu convite e vá testar! E não se esqueça de me adicionar. P.S: caso precise de um convite, deixe um comentário, mas só vou convidar quem fizer um comentário relevante sobre o post 😉

Origem e Significado da Cybercultura — 25 / setembro / 2008

Origem e Significado da Cybercultura

Mesmo para os adeptos da chamada cybercultura é difícil, muitas vezes, definir do que se trata ou o que se encaixa nesta definição.

Saiba que não apenas é fácil descrevê-la, como também você faz parte dela. Caso esteja pensando que não, pare e pense novamente, pois a própria internet como nós vemos hoje é fruto desse desenvolvimento cultural.

Entenda, cultura não se trata de ouvir música erudita e ler bons livros, tampouco trata-se do conhecimento per se, mesmo que as atividades anteriormente descritas façam parte da cultura humana como um todo.

Citando a Wikipédia (minha fonte favorita de conhecimento):

Cultura (do latim cultura, cultivar o solo, cuidar) é um termo com várias acepções, em diferentes níveis de profundidade e diferente especificidade. São práticas e ações sociais que seguem um padrão determinado no espaço. Se refere a crenças, comportamentos, valores, instituições, regras morais que permeiam e identifica uma sociedade. Explica e dá sentido a cosmologia social, é a identidade própria de um grupo humano em um território e num determinado período.

Tendo em mente isso, podemos começar a enumerar as partes que compoem o emaranhado tecnológico que chamamos de cybercultura: celulares, computadores, sites, salas de bate-papo, blogs, compras on-line, jogos, gps, cartões de crédito. Toda sorte de aparatos eletrônicos e hábitos relativos a eles em nosso dia-a-dia fazem parte desta lista.

Os povos antigos dependiam de muitas coisas para sobreviver, desde água potável até formas de cultivar uma lavoura. Todas as criações feitas em prol disso são nossas culturas. Hoje em dia o ser humano depende de outros fatores, seja para resolver problemas em seus ambientes, seja para obter maior conforto ou qualidade de vida. Essas necessidades nos levam a cultivar novos hábitos e criar novas ferramentas, criando assim novas culturas.

Assim nasceu a cybercultura. A medida em que foram desenvolvidas novas tecnologias e formas de comunicação, estas se tornaram essenciais para as atividades sociais humanas, gerando a necessidade de evoluir este aspecto, fato que nos traz ao contexto atual, onde os meios tecnológicos são dificilmente descartados da vida de qualquer cidadão.

As origens disso tudo?

Em 1726, Jonathan Swift imaginou uma máquina de blocos de madeira acionada com uma alavanca, cuja utilidade era compor discursos. É claro que tal máquina não existiu, mas em 1801, Joseph-Marie Jacquard chegou muito perto dessa idéia, ao criar o primeiro sistema de cartões perfurados para tecer. Com ela era possível tecer diferentes padrões sem alterar partes mecânicas da máquina.

A idéia evoluiu, a tecnologia (simples, para nossos padrões) revolucionou a cultura da época, até que em 1833 o primeiro computador programável foi idealizado: utilizando cartões perfurados, um “motor analítico” movido a vapor foi desenhado por Charles Babbage. Justamente pela falta de recursos em seu tempo, Charles fracassa em seu projeto.

A próxima evolução tecnológica viria através do telefone, inventado por Antonio Meucci em 1860 e patenteado por Alexander Graham Bell em 1875, está presente em nossas vidas até hoje.

Quase um século depois, em 1946, nasce o primeiro computador, chamado ENIAC (Eletronic Numerical Integrator And Computer), criado por John Presper Eckert e John William Mauchly na Universidade da Pensilvânia, EUA.

Não pense que ele era algo parecido com o que temos hoje em nossas mesas, onde podemos assistir a vídeos, nos comunicar ao redor do globo e expor nossas idéias, sua finalidade era calcular trajetórias de projéteis para o exército americano. Além de ter pouca utilidade para uma pessoa comum, ele pesava 27 toneladas e ocupava 167 m², operando com 17.468 válvulas eletrônicas.

O reinado do ENIAC não durou muito, pois ele foi desativado para sempre em 2 de Outubro de 1955.

Antes disso, em 1950 nasce o projeto que daria início a nossa querida internet: o RAND (Research and Development – Pesquisa e Desenvolvimento), cuja finalidade era conectar um computador a outro para que cientistas pudessem trocar conhecimento. Em 1958 a ARPANET (Advanced Research Projects Agency Network – Rede da Agência de Projetos de Pesquisa Avançados), criada com objetivos militares de pesquisa e desenvolvimento, é considerada a avó da internet. Apesar disso ela só realiza sua primeira conexão bem-sucedida em 1969.

Daí em diante é história. A computação evoluiu, com máquinas cada vez mais compactas e poderosas e agora comunicando-se umas com as outras através de uma rede. Nasce em 1970 o termo Internet, cunhado por Vinton Cerf.

A essa altura do campeonato, a sociedade pós-moderna já era dependente de milhares de outros elementos da cybercultura, como impressoras, máquinas industriais automatizadas, telefones e até mesmo dos jogos eletrônicos.

A indústria cibernética atinge um novo marco com o lançamento do “PC”, sigla para Personal Computer – computador pessoal -, da IBM, em Abril de 1981.

O PC foi o primeiro computador feito para ser levado para casa, digamos assim.

Em seguida veio o mouse, até pouco tempo atrás ferramenta indispensável no uso de um computador (hoje em dia contamos com dezenas de outros “artefatos” para esta tarefa, mas nenhum deles existiria sem o mouse).

E, finalmente, em 1984 o autor William Gibson publica uma novela chamada “Neuromancer”, onde aparece pela primeira vez o termo “ciberespaço”, que seria “a realidade virtual que ocorre dentro dos microcomputadores e redes do mundo”.

Este, para mim, é o marco definitivo da existência da cybercultura e também da importância da mesma para a sociedade atual. Com o crescimento financeiro e também da popularidade das empresas do ramo tecnológico, houve uma atenção crescente por parte dos cientistas, pesquisadores e consumidores, gerando uma evolução cada vez maior das tecnologias empregadas.

Graças a essas tecnologias recentes, hoje temos acesso a informação em escala indeterminável, comunicação com qualquer parte do mundo, possibilidades artísticas inimagináveis até então (imagine os filmes de hoje sem os efeitos especiais, DVD e… bem, internet – afinal, quem nunca baixou um filme?).

Se você pensa que chegamos a um limite da cybercultura, saiba que mal começamos. Cada vez mais as indústrias “do mundo real” estão migrando para a internet, ou pelo menos marcando presença através de um site, já que é mais fácil para o cliente tirar uma dúvida sem sair de casa (pelo menos deveria ser, se todos utilizassem a internet da maneira correta).

Ao passar de cada ano, surgem também novas tecnologias, novas formas de utilizar o que já temos. O que antes era um monte de textos enviados entre grupos de pessoas, hoje pode muito bem ser uma animação interativa com vídeo, som e ainda controlada pelo usuário. Imagine então o que está por vir.

Para se assustar é fácil, basta pensar que hoje em dia você pode assistir em tempo real, pela internet, uma câmera filmando o trânsito de Londres, da sua casa em Pindamonhangaba (ou seja lá onde for o lugar em que você mora). Só o fato ter acesso a este texto, ou melhor, de você mesmo poder produzir e publicar um texto desses e fazer mais de 10.000 pessoas lerem suas idéias (isso no meu caso, alguns sites chegam a números surreais de visitação), muda totalmente milhares de anos de cultura.

Voltemos aos povos antigos: foram necessários mais de 1.500 anos para que o Cristianismo chegasse ao Brasil, hoje estaria ao alcance de um clique.

Não tão antigo assim, há 30 anos atrás, você só poderia conhecer outro país através da televisão, revista, jornal, ou viajando para lá. Hoje, basta acessar o Google Maps e você pode ver qualquer parte do mundo, ou usar mecanismos de pesquisa para encontrar fatos históricos, fotos, notícias, vídeos, músicas, pinturas, desenhos; do Chuí à Indonésia.

Qualquer informação desejada pode ser encontrada. Desde que exista e você saiba procurá-la. Qualquer idéia pode ser publicada, desde que você não more na China ou outro país censor de internet.

Isto é cybercultura, amigo. Você está cercado por ela, depende dela, vive dela e mesmo que não admita ou minta para si mesmo, se um dia ela acabar, você sentirá falta dela.

Acha que não? Imagine seu mundo sem bancos on-line, sem boletos de pagamento, sem registros informatizados, sem banco de dados, sem bate-papo à distância, sem gps no carro, sem telefone celular, sem telefonia digital, sem códigos de barra, caixa automático, linhas de montagem automatizadas, previsão do clima, principalmente: sem photoshop na mulherada da playboy!

 

fontes: Wikipedia, Discovery Channel Brasil, minha insônia